Observa-se no mundo das grandes empresas, várias manobras para se manter no mercado de forma mais competitiva e uma das manobras utilizadas são ações conjuntas com outras empresas que podemos denominar de fusões, alianças estratégicas, join venture, formação de redes, parcerias e outras abordagens que favorecem uma união de duas ou mais empresas com objetivos comuns para uma vantagem competitiva.
E aí vem o questionamento…porque as pequenas empresas não utilizam estes recursos com mais intensidade?
Existem alguns mitos cristalizados que precisam ser vencidos quanto à confiança de se trabalhar em conjunto, quanto à propensão ao associativismo, a visão de negócios, a interpretação de quem é de fato o concorrente e tantas outras questões.
Mas uma coisa é certa, mas toda pequena empresa que possui visão competitiva almeja: poder de compra, base técnica de vanguarda, know-how, ampliação de sua atuação no mercado, consolidação de sua marca, lucratividade, etc.
Pois é, tudo isso pode ser concretizado com a busca da união de esforços de mais de uma empresa. Não é filantropia se estará fazendo uma empresa com a outra, mas negócios!
Quando a empresa busca fazer negócios em conjunto com outras empresas para aumentar o poder de compra, elas estarão atendendo a necessidade da empresa de fazer pressão no mercado, de ganhar competitividade em relação as grandes empresas e até favorecer sua atuação nos mercados internacionais.
Quando a empresa busca fazer negócios conjuntos com outras empresas na busca da complementaridade, elas estarão combinando competências e utilizando know-how, compartilhando riscos e custos para explorar novas oportunidades, e aumentando sua abrangência de atuação.
Quando a empresa busca fazer negócios conjuntos com outras empresas na busca de ampliação da base técnica, elas poderão estar dividindo o ônus de realização de pesquisas e desenvolvimentos de novos produtos, além de ampliar e melhorar a qualidade de suas linhas de produtos.
Enfim, fazer negócios conjuntos de forma estratégica, gera resultados estratégicos para todos os envolvidos e maior satisfação de seus clientes que poderão ser melhor atendido!
Fonte: Morvan, 1991; Amato, 2000 e Rodrigues, 2002.
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Creio que o principal inibidor dessas alianças seja a pouca confiança nas relações entre empresas cuja origem pode ser da cultura empresarial. Se observarmos no exemplo da Terceira Itália, na região de Emília Romagna, veremos que a reconstrução da trama empresarial, notadamente composta por pequenas empresas, se deu em grande parte pelo entendimento dos pequenos empresários que a única saída para sua reconstrução seria atuando de forma compartilhada. Portanto me parece que a necessidade induziu aquele processo, mas com uma base forte na disponibilidade para a cooperação daqueles empresários. Resultado disso são as estatísticas relacionadas às pequenas empresas daquele país com números positivos expressivos. No nosso caso, talvez a necessidade e políticas claras de estímulo a essas iniciativas possam romper com esse paradigma, abrindo horizontes promissores às nossas MPE´s. Há casos de iniciativas bem sucedidas no sul de MG, em Cruzília, com o segmento de marcenarias. Não sei a quantas andam hoje, mas tiveram um momento importante de integração com divisão de tarefas e responsabilidades conseguindo com isso, produzir com escala e de forma flexível, conferindo-lhes um diferencial importante na competição com médias e grandes empresas.
A Lei Geral das MPE´s traz em seu texto oportunidades para associação de pequenas empresas que precisam ser observadas para melhor compreensão dessa questão no Brasil.